As pessoas se estão matando
Invocando teu santo nome
Mas se todas são filhos teus
Como assassinar uns aos outros
Se todos são filhos de Deus?
Que confusão nesta aldeia
Antes grande, hoje pequena
Onde o bandido alardeia:
Mesmo com lei não há pena
Pois em tendo a bolsa cheia
Muito juiz titubeia
Ao formular a sentença
E assim se vai minha crença
Naquilo que tanto amei
No primado da moral
Na prevalência da lei
Prometeu acorrentado
À rocha de seu barraco
Desnutrido, o corpo fraco
O proletário lamenta:
“ Quero emprego, não esmola
O que peço é a ferramenta
Pra edificar meu futuro
Quero meu filho na escola
Alheio ao crime perjuro
Quando querem o meu voto
Me prometem quase tudo
Após o pleito (Oh! falácia)
Tudo quedo, tudo mudo
Nem médico e nem farmácia
Só me resta o terremoto
Desta inconcebível sina
Deste castigo sem nome
De vender droga na esquina
Para não morrer de fome”
Se saio à rua assustado
Enfrento o fogo cruzado
De bandido e de soldado
Vejo a velhinha sofrida
- Que tu, oh Deus, a proteja –
Alvo de bala perdida
Quando ia ao teu encontro
Em busca da tua igreja
Há bandidos por todo o lado
Vicejando com o meu sustento
Eis a realidade mais dura
Há os que controlam o mercado
Há os bandidos do parlamento
Há os que estão na magistratura
Acode-me, Senhor, acode-me
É o que te suplico por fim
Não p ermitãs que os anjos maus
Te assassinem dentro de mim
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