De costas (meditativo)
Para o sol e para o mar
Do pétreo banco cativo
Eis o “Fazendeiro do Ar”.
Alheio às coisas do mundo
Pareces estar focado
No ser que em sono profundo
Jaz a teus pés estirado
Quem sabe um poeta frustrado
Sem passado, sem memória
Procurando alucinado
O abrigo da tua glória.
Defronte perpassa o povo
Em chata normalidade
Passa o velho, passa o novo
Passa o mal, passa a bondade
Passa boi, passa boiada
Passa o fino, passa o bruto
Passa a moça enamorada
Passa o banqueiro corrupto
Passa o falso evangelista
Passa o mau deputado
Passa o medíocre artista
Passa até padre tarado
Passa o loquaz, passa o mudo
E muita gente de bem
Coisa que apesar de tudo
O Rio ainda muito tem
A velhinha passa calma
(Sabendo que eras ateu
Pede ao Senhor por tua alma
E ao seu São Judas Tadeu).
Depois de tanta passagem
O pinguço se alevanta
Com os olhos mede a paisagem
E exclama com graça tanta
Que o seu falar de destaca
Gerando perplexidade:
“Até a próxima ressaca
São Carlos Drummond de Andrade”.
FRINÉIA |