Soluços pendurados nesta porta
Tristezas enlaçando estas vielas
E a dor deliquescendo nas janelas
Transformam tudo em natureza morta
É um lânguido sentir que desconforta
A chuva fria apaga a luz das velas
É a pausa anunciadora das procelas
No aspecto quaresmal da rua torta
Dentro de nós o quadro ainda é mais triste
A chuva silenciosa é que persiste
Teimosa nos molhando o coração
O sofrimento cresce, o mal se espalha
Com a alma se envolvendo de mortalha
Na dor da própria crucificação
FRINÉIA |