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Noite de lua minguante,
Unha de lua arranhando
Nuvens de prata no céu
Retorno à prelúdica praia
Daquele mútuo ofertório.

Contato de areia molhada
E a ânsia de te encontrar...

O ir e vir da água quente
Cobrindo meu corpo carente
É como a canção dos teus dedos
Cantando em meu dorso nu.

Água que vem e que vai,
Ribalta abrindo e fechando
Aos meus confusos desejos.
Granitos rasgando o meu corpo
Em gestos de fúria e de amor;
Calotas de rochas sofridas
(teus seios petrificados)
Nas conchas de minhas mãos.

Água que vem e que vai,
Teus braços cingindo o meu corpo,
Teu corpo no fundo do mar...

Água que vem e que vai,
Ensaio de permanência
De gestos sequer esboçados.

Onda mansa de ir e vir –
Quem sabe diluição do teu corpo
Nas águas da origem comum.

Água que vem e que vai,
O gosto de sal na boca,
O travo do beijo ausente –
Recado da dor presente,
Mensagem do bom que foi.

Água que vem e que vai –
Marola da vida breve
Voltando às camadas profundas
Da longa memória de amor:

Converso com a lua triste
Segredos que eram só teus.
Viagem ao tempo perdido,
Cavalgando sonhos dispersos
Por terras do nunca mais.

Pálida lua minguante,
Braço de cruz envergado
Ao peso da tua ausência.
Àquela fresta da lua
Pergunto como é possível
Sentir-te assim, tão distante
Se moras dentro de mim...

Veja, já chegou a aurora.
Nas nuvens em nebulosa
 - Teus cabelos em negativo –
Envolvo minha face fria
Com os ventos da tua ausência
Me abismo nos teus cabelos.
Vivo orgasmos matutinos
Em cantos do amanhecer:

Luz, luz, pra que tanta luz?
Se nela se liquefaz
O que, embora não sendo,
É justo o que me apraz?
...Irmão sol, estou indo embora,
Volto à rotina do dia,
À farsa do aqui e agora,
À contrafação do prazer
À prosaica litania
Do trabalhar e esquecer;
Do trabalhar e esquecer.

 


TRÓPICO DE CÂNCER

FRINÉIA